No Santo Ivo, a literatura é compreendida como um pilar indispensável para o desenvolvimento e a formação humana. Ela ultrapassa as fronteiras tradicionais da sala de aula e opera como um convite constante ao encantamento, à fruição e à expansão do repertório afetivo, social e existencial.
Nosso currículo literário é estruturado de forma cuidadosa e estratégica. Por isso, parte das obras selecionadas permanece como uma base sólida ano após ano. Essa constância reflete um desenho pedagógico rigoroso, pensado para garantir que cada estudante construa, desde os primeiros anos na escola até a sua formação final, uma bagagem essencial de referências das literaturas brasileira e universal.
É importante destacar que essa leitura das obras na íntegra não acontece de forma isolada; ela é constantemente complementada e enriquecida por um ecossistema de leitura que pulsa no cotidiano da escola. Desde a Educação Infantil, os estudantes têm acesso direto aos livros das bibliotecas de sala e frequentam as salas de leitura do Colégio, ambientes pensados para incentivar a escolha autônoma e o prazer de ler. Nos Anos Finais e no Ensino Médio, essa dinâmica ganha camadas de maior complexidade: os professores selecionam artigos, crônicas, contos, poemas e ensaios que dialogam diretamente com os livros do trimestre, ajudando a contextualizar as narrativas e a ampliar o repertório crítico de cada turma.
Dessa forma, nosso planejamento busca proporcionar um trânsito fluido e autônomo por diversos gêneros, temas, autores e estéticas, respeitando o amadurecimento de cada faixa etária. Ao longo de toda a trajetória escolar, as leituras são pensadas para fazer de cada livro um ponto de partida para a investigação criteriosa, estimulando a interpretação de textos e contextos. O objetivo disso é ajudar nossos estudantes a desenvolver habilidades críticas refinadas e, acima de tudo, cultivar um vínculo sensível, duradouro e maduro com o poder da palavra.
CONFIRA CADA SEGMENTO:
Leituras Literárias | Educação Infantil
Leituras Literárias | 1º ao 5º Ano
Leituras Literárias | 6º ao 9º Ano
Leituras Literárias | Ensino Médio
Leituras Literárias - Ensino Médio 1º semestre 2025
1ª Série
Na 1ª série do Ensino Médio, essa jornada teve início no primeiro trimestre com as páginas sensíveis de “A cinza das horas", livro de estreia de Manuel Bandeira.
Marcada pelos ecos de uma juventude assombrada pela tuberculose, a obra introduziu os alunos em uma atmosfera confessional em que a melancolia, a passagem inexorável do tempo, a solidão e a subjetividade funcionaram como um espelho para as próprias inquietações e transições da adolescência. Em sala de aula, o estudo do verso desdobrou-se em sensibilizações,leitura crítica e autodescoberta, permitindo o debate em torno da vulnerabilidade humana e o papel da arte como ferramenta de catarse e ressignificação da dor.
Dando continuidade, o segundo trimestre trouxe a leitura de “João Miguel”, romance de 1932 em que Rachel de Queiroz reafirma seu pioneirismo na segunda geração modernista. A narrativa afasta os estudantes do cenário tradicional das grandes secas nordestinas para confiná-los no espaço físico e psicológico de uma cadeia no sertão, acompanhando um homem simples que lida com a estagnação e o abandono. A análise literária focou no uso sofisticado do discurso indireto livre e na manipulação do tempo psicológico, elementos que impedem a obra de cair em um determinismo social óbvio. Esse mergulho na humanidade crua das personagens impulsionou discussões fundamentais sobre o sistema de justiça brasileiro, a desigualdade social e a condição das mulheres da época, representadas pela galeria de tipos sociais femininos que orbitam o protagonista.
2ª Série
Ao chegarem à 2ª série, os alunos depararam-se com a densidade poética e filosófica de “Claro enigma”, obra escrita por Carlos Drummond de Andrade em 1951. Afastando-se do engajamento social imediato de seus livros anteriores, Drummond adota aqui um tom marcadamente cético, desiludido e metafísico, operando um retorno surpreendente ao rigor das formas clássicas, como o soneto. Os versos foram explorados sob a ótica do pessimismo do pós-guerra e da transitoriedade da vida, culminando em uma rica atividade de intertextualidade na qual a turma realizou uma leitura comparativa do antológico poema “A máquina do mundo” com excertos d’Os Lusíadas de Luís de Camões. Essa ponte estética permitiu debater o confronto entre a herança racionalista ocidental, o cansaço existencial do homem moderno e a incapacidade humana de decifrar os mistérios absolutos do universo.
No trimestre seguinte, a 2ª série avançou para “Caminho de pedras”, também de Rachel de Queiroz, livro que desloca o eixo temático para a militância ideológica e as paixões políticas da primeira metade do século passado. A narrativa permite aos estudantes analisar a crueza das disputas partidárias e o idealismo dos movimentos intelectuais da década de 1930. O grande motor dos debates em sala de aula tem sido a construção da voz feminina da protagonista, que enfrenta não apenas a repressão do Estado, mas também as barreiras invisíveis do machismo estrutural dentro do próprio ambiente de militância. A discussão da obra costuma centrar-se nas tensões perenes entre a vida privada e o sacrifício em prol de uma causa coletiva, questionando os limites da liberdade individual.
3ª Série
Na 3ª série, o percurso literário exigiu um olhar ainda mais refinado diante da linguagem e da abstração. O primeiro trimestre foi guiado pelos poemas de “Geografia”, da autora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, cuja escrita é conhecida pelo equilíbrio clássico, pela busca obstinada da justiça e pela plasticidade de imagens ligadas à natureza e ao mar. Os alunos debruçaram-se sobre a geometria e o rigor formal que dão ritmo ao texto cirúrgico da autora, explorando como o espaço físico se converte em território moral e afetivo. Inspirados por essa poética da precisão, os estudantes aceitaram o desafio de produzir suas próprias composições poéticas, exercitando o olhar atento sobre o mundo e discutindo em sala temas como o papel ético do escritor e a memória como paisagem permanente da identidade.
O desafio do segundo trimestre para a 3ª série assumiu um tom radical com "A paixão segundo G.H.", uma das obras-primas de Clarice Lispector. A escrita visceral e o fluxo de consciência da autora pegaram os alunos de surpresa ao narrar o desmoronamento das certezas burguesas de uma mulher que inicia um processo de despersonalização profunda. O estudo do livro tem proporcionado uma complexa investigação sobre a linguagem simbólica e as fronteiras do existencialismo na literatura. As discussões são também orientadas para o autoconhecimento e a crise epistemológica do sujeito contemporâneo, desafiando as turmas a debaterem o abandono do ego, o preconceito de classe implícito nas estruturas cotidianas e a assustadora beleza de se encarar a vida despida de máscaras sociais.
UNIDADES ELETIVAS (2ª e 3ª séries)
A Unidade Eletiva (UE) Obras Literárias 1 promoveu um mergulho nas representações do cotidiano por meio de contextos históricos distintos. No primeiro trimestre, a leitura de “Memórias de Martha”, de Júlia Lopes de Almeida, transportou os alunos para o cenário urbano e estratificado do Rio de Janeiro no final do século XIX, sob uma perspectiva realista focada na pobreza e na vulnerabilidade feminina. Para diminuir a distância temporal do texto, a turma desenvolveu um minucioso dicionário visual que materializou costumes e termos da época. O debate sobre a obra permitiu analisar criticamente as desigualdades de gênero e de classe na virada do século, além de colocar em pauta o apagamento histórico de mulheres escritoras na literatura brasileira.
No segundo trimestre, o trabalho de Obras Literárias 1 avançou para a análise cirúrgica e comparativa dos contos de “Sagarana”, do brasileiro João Guimarães Rosa, e “Nós matamos o cão tinhoso!”, do moçambicano Luís Bernardo Honwana. Marcadas por linguagens e estéticas inconfundíveis, as obras têm desafiado os estudantes a compreender o sertão metafísico de Rosa em paralelo com a denúncia contundente da opressão colonial em Moçambique proposta por Honwana. O foco das discussões gira em torno da linguagem única de cada autor e de como eles utilizam histórias de gente comum, infâncias marginalizadas e metáforas do reino animal para construir retratos profundos da violência estrutural e da dignidade dos subalternos, estimulando um olhar sobre a reinvenção da linguagem literária.
Obras Literárias 2 dedicou-se à investigação da ironia refinada e das rupturas de enredo na prosa brasileira. O estudo do clássico ”Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, permitiu que os estudantes destrinchassem o método do "defunto autor" e a audácia narrativa que inaugurou o Realismo no Brasil. Ao envolverem-se intimamente com a psicologia de personagens marcantes como Virgília, Marcela, Dona Plácida e o próprio Brás Cubas, os alunos puderam debater a hipocrisia e o cinismo da elite escravocrata do Brasil Império, percebendo a ironia machadiana como uma lente cortante sobre as mazelas sociais de nossa história.
Em seguida, as turmas enfrentaram a prosa pré-modernista de Lima Barreto em “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá”. As descrições minuciosas do Rio de Janeiro do início do século XX e os diálogos reflexivos da obra desafiaram os alunos a compreender um contexto narrativo com pouco enredo factual, mas com uma densidade sociológica profunda sobre a burocracia e o cotidiano dos subúrbios cariocas no início da República. O debate comparativo entre a melancolia barretiana e o ceticismo machadiano consolidou a maturidade crítica dos estudantes, que colocaram em prática não apenas a habilidade de interpretar textos complexos, mas também a de ler as entrelinhas e as contradições do mundo ao seu redor.
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Leituras Literárias do Primeiro Semestre - Anos Finais
6º anos

O primeiro trimestre do 6º ano propôs um mergulho profundo no poder transformador da palavra e da imaginação. A jornada começou com “Kafka e a Boneca Viajante", de Jordi Sierra I Fabra. A obra narra um episódio real da vida de Franz Kafka que, ao encontrar uma menina chorando pelo sumiço de sua boneca Brígida, transforma-se em um "carteiro de bonecas" e passa a redigir cartas de lugares distantes para consolá-la. Ao mergulharem nessa história, nossos estudantes tocaram em temas delicados como a perda e o luto. Para exercitar a empatia de forma prática, os estudantes foram convidados a se colocar no lugar da boneca ou da menina, já crescida, e escreveram cartas de resposta a Kafka. No percurso, os estudantes compreenderam as características do gênero carta e realizaram exercícios de produção textual que revelaram a sensibilidade da turma e levaram à percepção de que o afeto e a literatura podem transformar a dor em amadurecimento.
Em seguida, os olhos dos estudantes se abriram para a grandiosidade visual de “A Invenção de Hugo Cabret”, de Brian Selznick. Acompanhando o menino órfão que vive escondido nos relógios de uma estação de trem em Paris, consertando um misterioso autômato, a turma refinou a leitura e a interpretação de palavras e imagens. Com Hugo, eles compreenderam que a realidade é um grande e complexo mecanismo, em que cada peça é essencial. Como a obra também resgata os primórdios da história do cinema, o entusiasmo culminou em um trabalho prático: em grupos, os estudantes transformaram cenas do livro em roteiros teatrais e as encenaram no palco da sala de aula, exercitando a colaboração, a oralidade e a expressão corporal.
Antes das férias, iniciamos a leitura de “A bicicleta que tinha bigodes”, de Ondjaki, obra que traz a tônica da infância em Angola, recheada de lirismo e sensibilidade. Em sala de aula, os estudantes foram convidados a apreciar essa realidade geograficamente distante ao mesmo tempo em que olhavam para suas próprias vivências, compreendendo que a infância, embora vivida em contextos socioculturais tão diversos, guarda em si um núcleo universal feito de afetos, imaginação e descobertas. Esse mergulho literário permitiu que eles refletissem sobre a alteridade, percebendo o valor da simplicidade no cotidiano e a força dos laços comunitários e de amizade retratados no livro. Trata-se de um exercício de ampliação de visão de mundo que expande o repertório cultural da turma..
7º anos

No 7º ano, as leituras aliaram o peso dos clássicos à criação individual e coletiva. O ano começou com os passos do "Cavaleiro da Triste Figura" e de seu fiel escudeiro, Sancho Pança, em “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes. Entre o riso e a melancolia das aventuras do fidalgo, os estudantes debateram sobre coragem, autenticidade e autoconhecimento, percebendo que a realidade muitas vezes é tingida pelas lentes de quem a fita. Para dar vida a essas reflexões, as turmas elaboraram um Podcast simulando uma entrevista com Quixote e Sancho. A atividade exigiu que os estudantes pesquisassem a fundo a psicologia das personagens para conseguir respondê-las com fidelidade, mergulhando na alteridade e na consideração de diferentes pontos de vista enquanto trabalhavam a oralidade e o uso de tecnologias digitais.
Na sequência, as páginas ganharam vontade própria em “O Livro Selvagem”, de Juan Villoro. Na história, o jovem Juan vive o incômodo da separação dos pais e vai passar as férias na biblioteca labiríntica de seu tio, onde depara-se com um volume rebelde que se esconde dos leitores. Em sala de aula, a narrativa disparou conversas maduras sobre perdas, renascimentos e o próprio ato de ler, compreendido pela turma como um ritual de entrega e ousadia.
Como desdobramento dessa experiência, os estudantes são desafiados a produzir o seu próprio “Livro Selvagem” em formato sanfonado. Esse projeto prático exige que eles concebam não apenas o texto e o mistério da narrativa, mas também a engenharia física do livro, o que exercita a autonomia e a expressão artística.
8º anos

O 8º ano utilizou a literatura como uma poderosa ferramenta para compreender a formação da sociedade brasileira e as relações humanas. O ponto de partida foi “Meu avô, os livros e eu”, de Camila Tardelli. Na obra, a jovem Natália vive o isolamento e as incertezas da pandemia, mas inicia uma jornada de autodescoberta através dos livros que seu avô lhe envia. Em sala, o diário de leitura da protagonista serviu como um disparador para conversas corajosas sobre raça e gênero. Por meio dos debates, os estudantes compreenderam que a boa literatura nos oferece o vocabulário necessário para acolher nossas próprias dores e transmutar sentimentos individuais em experiências compartilhadas.
O livro de Tardelli funciona como uma ponte para outros autores, como Carolina Maria de Jesus, cuja obra também será lida e discutida por nossas turmas. Além disso, a protagonista conhece Ariano Suassuna, autor de “Auto da Compadecida”, clássico que os estudantes do 8º ano leram e debateram neste trimestre.
O trabalho com o Auto da Compadecida resgatou a origem da palavra teatro ("lugar onde se vê"). Nas aulas, os estudantes compreenderam que a peça funciona como uma lente para olhar aspectos da nossa realidade frequentemente silenciados: o humor e a ironia cortante de Suassuna passam longe do deboche vazio; a sabedoria popular de João Grilo e as mentiras de Chicó são apresentados como estratégias de sobrevivência dos mais pobres em um mundo governado pelo dinheiro e pela hipocrisia. Essas compreensões embasaram profundos debates éticos entre os estudantes.
9º anos

As turmas do 9º ano vivenciaram leituras focadas no desenvolvimento do pensamento crítico e na compreensão da estrutura literária. A jornada começou com “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, que acompanha o cotidiano de um bando de meninos de rua em Salvador. Em sala de aula, trabalhamos com os estudantes uma distinção crucial para a sensibilidade humana: a diferença entre identificar-se com um personagem (baseado na semelhança) e solidarizar-se com ele (que implica reconhecer a dignidade do outro na diferença mais radical). Os estudantes foram estimulados a superar visões simplistas do "certo ou errado", investigando o contexto histórico que pressionava as ações dos jovens. Esse mergulho ético foi costurado com um estudo rigoroso das escolhas linguísticas de Jorge Amado, o que levou à compreensão de que a linguagem não é enfeite, é a estrutura que constrói os sentidos da obra.
Em seguida, cruzamos o país rumo à Amazônia urbana de Milton Hatoum com o romance “Dois Irmãos". O trabalho pedagógico debruçou-se sobre conceitos da teoria narrativa. Os estudantes investigaram o "tempo psicológico" — em que o relógio cede espaço ao peso da memória — e dedicaram atenção minuciosa ao foco narrativo. A turma foi desafiada a desvendar o mistério de quem de fato conta a história: um narrador sem nome, que vive em uma posição marginal na casa e cuja condição de subalternidade o impede de dizer claramente quem é.
Os estudantes identificaram o uso de imagens grotescas e a estrutura fragmentada do livro, percebendo que o autor usa esses recursos para expor o que havia de violento nas relações da família. Diante das lacunas intencionais deixadas por Hatoum sobre o destino das personagens, a turma sentiu um nítido incômodo com o "não-saber" mas, ao fim, compreenderam que a grande literatura sustenta as contradições do mundo e que aprender a lidar com a complexidade e com a ausência de respostas prontas é parte fundamental de sua formação cidadã.
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Leituras Literárias | Educação Infantil
G2 e G3
Uma lagarta muito comilona
Autor: Eric Carle
Ao longo da leitura do livro “Uma lagarta muito comilona”, de Eric Carle, as crianças do G2 e G3 foram convidadas a participar de experiências sensoriais, corporais e lúdicas que favoreceram a construção de vínculos com a literatura. Por meio da exploração do livro, das rodas de leitura, das brincadeiras de faz de conta e da observação das imagens, as crianças ampliaram seu repertório de linguagem, passaram a reconhecer personagens, alimentos, cores e sequências da narrativa, além de demonstrarem maior interesse e cuidado com os livros.
Durante as propostas, também exploramos temas como alimentação, percepção corporal, passagem do tempo, espera e transformação. As crianças puderam vivenciar a história com o corpo, recontar trechos por meio de gestos, dramatizações e brincadeiras, além de refletirem sobre as mudanças da lagarta até sua transformação em borboleta. Ao final do percurso, observamos avanços no manuseio dos livros e no encantamento pelas histórias, fortalecendo o desenvolvimento da imaginação, da comunicação e da curiosidade.
O monstro das cores
Autor: Anna LLenas
A leitura do livro “O monstro das cores”, de Anna LLenas, favoreceu as crianças do G2 e do G3 o reconhecimento e a expressão das emoções de forma sensível e significativa. Por meio das leituras compartilhadas, da exploração das cores, das brincadeiras com espelhos, expressões faciais e atividades artísticas, elas ampliaram seu vocabulário emocional, identificando sentimentos como alegria, tristeza, raiva, calma e medo, além de perceberem que diferentes emoções podem existir e se manifestar de diversas maneiras.
Durante as propostas, também exploramos a relação entre as emoções e o corpo, incentivando momentos de acolhimento, escuta, respiração, dramatização e autorregulação. As crianças demonstraram maior interesse pelos momentos de leitura, passaram a reconhecer emoções em si mesmas e nos colegas, expressando sentimentos por meio de gestos, palavras, movimentos e produções artísticas. Ao final do percurso, observamos avanços na comunicação, na empatia, no desenvolvimento da autonomia leitora e na capacidade de compartilhar experiências e emoções em grupo.
G4
Petit, o Monstro
Autor: Isol
A leitura do livro “Petit, o Monstro”, de Isol, possibilitou às crianças o contato com diferentes emoções e reflexões sobre si mesmas, favorecendo o desenvolvimento do autoconhecimento de forma lúdica e significativa. Ao longo da narrativa e das rodas de conversa, participaram com interesse e envolvimento, identificando, nomeando e compartilhando sentimentos como alegria, tristeza, raiva e medo. A história promoveu reflexões sobre as mudanças de humor e sobre a forma como cada pessoa vivencia e expressa suas emoções, contribuindo para a ampliação do repertório emocional e para a compreensão de que todos os sentimentos fazem parte da vida.
Durante as propostas inspiradas no livro, as crianças tiveram a oportunidade de aprofundar essas reflexões por meio de conversas, brincadeiras, dramatizações, observação de expressões faciais, uso de espelhos e cartões de emoções. Foi possível observar avanços na capacidade de reconhecer sentimentos em si mesmas e nos colegas, relacionando-os a situações do cotidiano. Nas atividades de representação, como desenhos, autorretratos e produções para o painel coletivo, expressaram características, gostos e preferências, fortalecendo a construção da identidade e o reconhecimento de sua singularidade. As dramatizações inspiradas no personagem Petit favoreceram a empatia, a escuta e o respeito às diferenças, evidenciados em atitudes e falas que demonstraram maior compreensão dos sentimentos do outro.O Coelho escutou...
Lobo Negro
Autora: Antoine Guilloppé
O livro “Lobo Negro”, de Antoine Guilloppé, ampliou as capacidades leitoras das crianças por meio da leitura de imagens, favorecendo uma postura investigativa, interpretativa e sensível diante da narrativa. Durante a exploração do livro, as crianças foram convidadas a observar atentamente as ilustrações, levantando hipóteses sobre os acontecimentos, antecipando situações e construindo sentidos a partir de pistas visuais. Ao longo da leitura, demonstraram envolvimento, curiosidade e participação ativa, verbalizando suas interpretações, inferências e diferentes percepções sobre a história e o personagem do lobo. A experiência evidenciou a potência dos livros de imagem para o desenvolvimento da leitura na Educação Infantil, valorizando a escuta, a imaginação e a autoria das crianças.
As propostas realizadas a partir da leitura possibilitaram aprofundar a compreensão da narrativa e ampliar as formas de expressão. Na reconstrução coletiva da história, foi possível observar avanços na organização do pensamento narrativo e na ampliação da linguagem oral. Já as atividades de dramatização e produção artística favoreceram a expressão de sentimentos, a ressignificação da experiência vivida e a construção de interpretações próprias sobre a história.
G5
O piquenique do Gildo
Autora: Silvana Rando
A Vida Secreta das Emoções”, de Tina Oziewicz, convidou as crianças a imaginarem o que os sentimentos fazem quando ninguém está olhando. A obra favoreceu o reconhecimento, a aceitação e a compreensão das emoções, criando oportunidades para que as crianças conversem sobre sentimentos que, muitas vezes, são difíceis de expressar.
Durante as propostas desenvolvidas a partir da leitura, novos sentimentos foram ganhando nome, significado e espaço nas conversas do grupo. Emoções antes pouco conhecidas deixaram de ser visitantes misteriosos para se tornarem experiências reconhecidas e acolhidas. Entre reflexões, brincadeiras, registros e trocas de experiências, as crianças ampliaram seu vocabulário emocional, exercitaram a escuta e aprenderam a olhar para si mesmas e para os colegas com mais sensibilidade.
O Lobo não vai aparecer?
Autores: Myriam Ouyessad e Ronan Badel
O livro “O Lobo não vai aparecer?”, de Myriam Ouyessad e Ronan Badel, convidou as crianças a observarem pistas, interpretar as imagens, antecipar acontecimentos e imaginar diferentes finais para a narrativa. Entre palavras e ilustrações, demonstraram envolvimento e participação ativa, desenvolvendo a atenção, a compreensão oral e a capacidade de construir significados a partir do que viam e escutavam.
As propostas realizadas a partir da leitura, ampliaram as possibilidades de investigação e descoberta. Motivadas pela curiosidade despertada pela história, as crianças entrevistaram os adultos da escola para descobrir onde os lobos moram. As respostas foram organizadas em um gráfico construído coletivamente, revelando diferentes percepções: enquanto alguns adultos relacionavam os lobos às florestas, montanhas e reservas naturais, outros os situavam nos bosques encantados dos contos de fadas. Essa pesquisa possibilitou reflexões sobre as diferenças entre realidade e fantasia, ao mesmo tempo em que fortaleceu a oralidade, a observação, a pesquisa e a interpretação de dados. Ao longo do percurso, as crianças participaram de momentos de partilha, escuta e cooperação, descobrindo que as histórias podem inspirar perguntas, investigações e aprendizagens que continuam muito além da última página.
Deu Zebra no ABCz
Autor: Fernando Vilela
Durante a leitura de “Deu Zebra no ABC”, de Fernando Vilela, as crianças participaram ativamente, levantando hipóteses, identificando letras conhecidas e estabelecendo relações entre os nomes dos animais, seus próprios nomes e outras palavras presentes em seu repertório oral e escrito.
As propostas desenvolvidas a partir da leitura ampliaram as oportunidades de exploração da linguagem escrita e dos sons das palavras. Em diferentes brincadeiras, jogos e situações de investigação, as crianças observaram letras, compararam nomes, identificaram semelhanças sonoras e refletiram sobre a composição das palavras. Tiveram também, a oportunidade de ampliar seus conhecimentos sobre os animais apresentados na história, compartilhando descobertas e curiosidades com o grupo.
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Leituras Literárias | Ensino Médio
1ºs Anos
O livro “Listas Fabulosas”, de Eva Furnari, possibilitou às crianças mergulharem em um universo criativo e bem-humorado por meio de listas inusitadas, divertidas e cheias de imaginação. Durante a leitura, observaram diferentes tipos de listas, identificaram suas características e refletiram sobre suas funções no cotidiano, compreendendo que elas podem servir para organizar informações, registrar ideias, planejar ações, comunicar desejos e também abrir espaço para a criatividade e a imaginação.
As propostas realizadas a partir da obra possibilitaram que as crianças explorassem a escrita de listas em diferentes contextos. Ao longo dessas experiências, ampliaram seus conhecimentos sobre o sistema de escrita alfabética, desenvolveram estratégias de leitura e compreenderam a importância das listas como ferramenta de organização, comunicação e expressão. Como culminância desse percurso, produziram o próprio livro Listas Fabulosas, reunindo criações individuais inspiradas na obra. Nesse processo, exercitaram a autoria, compartilharam ideias e perceberam-se como escritores, construindo um material significativo que registra parte das aprendizagens, descobertas e vivências do semestre.
O livro “Cocarzinho Amarelo”, de Yaguarê Yamã, mostrou para as crianças como uma narrativa ganha novos sentidos ao ser recontada a partir da cultura indígena brasileira, valorizando os saberes ancestrais, a vida na floresta e os laços de afeto entre as gerações. A história aborda temas como coragem, cuidado, respeito aos mais velhos, identidade cultural e pertencimento.
Durante a proposta, as crianças compararam Cocarzinho Amarelo com outras versões do conto da Chapeuzinho Vermelho, observando semelhanças e diferenças na narrativa e identificando elementos que permanecem e outros que se transformam de acordo com quem conta a história. Nesse processo, ampliaram a escuta, a capacidade de análise e a compreensão de que as narrativas são atravessadas por diferentes perspectivas culturais, fortalecendo o respeito à diversidade e o interesse por outras formas de narrar o mundo.
Com o livro “Enigmas”, de Denise Guilherme, as crianças foram convidadas a mergulhar no universo dos contos de encantamento por meio de uma proposta instigante: desvendar personagens, objetos, cenários e acontecimentos a partir de pistas e enigmas. A obra ampliou o olhar do grupo para os contos clássicos, evidenciando que uma mesma história pode ser interpretada, recontada e reinventada de diferentes maneiras.
As propostas desenvolvidas a partir da leitura possibilitaram importantes conversas sobre as múltiplas versões dos contos de encantamento e sobre como diferentes autores podem revisitar personagens e histórias já conhecidas, criando novas perspectivas e significados. As crianças compararam narrativas, identificaram semelhanças e diferenças entre versões e ampliaram seu repertório literário por meio do contato com diversos contos tradicionais. Inspiradas pelo livro, participaram de desafios de interpretação, jogos de adivinhação, rodas de conversa, recontos e atividades de produção oral e escrita. Ao longo desse percurso, desenvolveram estratégias de leitura, formularam hipóteses, ampliaram a compreensão das estruturas narrativas e perceberam que personagens e histórias podem ganhar novas formas, novos sentidos e diferentes possibilidades de existência a cada reconto.
2º anos
Em Cantigas para brincar, de Josca Ailine Baroukh e Lucila Silva de Almeida, as crianças cantaram e vivenciaram as cantigas tradicionais com coreografias e gestos, trabalhando ritmo e coordenação motora, fonética e rimas. Assim, aproximaram-se do patrimônio cultural brasileiro e foram despertadas para a curiosidade e para a valorização das raízes folclóricas, o que abriu as portas para as pesquisas que deram contexto à Festa Junina.
A leitura de Vamos dar a volta ao mundo? Conhecendo nosso planeta com a família Klink, de Marina Klink foi uma verdadeira expedição literária, uma jornada de descobertas a respeito dos diversos biomas do planeta. As crianças ampliaram seu conhecimento geográfico e ambiental, aventuraram-se por diferentes ecossistemas como florestas, desertos, geleiras e oceanos e puderam refletir sobre a importância da preservação da natureza. Assim como toda boa aventura, esta também os colocou diante de novas sensações e gerou sentimentos como empolgação, receio, frio na barriga e muito mais…
Algumas histórias de Meu primeiro livro de contos de fadas, de Mary Hoffman já são conhecidas das crianças, enquanto outras estão sendo deliciosas novidades - o que vem enriquecendo ainda mais o repertório cultural e literário da turma. Viajando através dos contos de encantamento, as crianças estão aprendendo a identificar e expressar suas próprias emoções, além de compreender melhor os sentimentos dos outros. Ótimas discussões e soluções criativas para problemas que se apresentam nos enredos têm surgido ao longo das leituras.
3º anos
A leitura de “Felpo Filva”, de Eva Furnari, proporcionou aos estudantes uma rica experiência de apreciação literária, ampliando seu contato com diferentes formas de expressão por meio da linguagem escrita. A narrativa, permeada por humor, criatividade e sensibilidade, convidou-os a acompanhar as transformações vividas pelo personagem e a refletir sobre sentimentos, opiniões, relações interpessoais e diferentes formas de enxergar a si mesmos e aos outros.
Ao longo da leitura, as crianças exploraram características presentes nos diversos gêneros textuais que compõem a obra, como cartas, poemas, receitas, listas e autobiografias e identificaram que cada gênero possui finalidade, estrutura e linguagem próprias. As rodas de conversa sobre amizade, respeito às diferenças, empatia e convivência incentivaram as crianças a expressar suas ideias, ouvir diferentes pontos de vista e refletir sobre suas próprias experiências.
Com humor, imaginação e situações inesperadas, “Uma velhinha de óculos, chinelos e vestido azul de bolinhas brancas”, de Ricardo Azevedo, envolveu os estudantes em uma divertida experiência literária. A narrativa despertou a curiosidade e incentivou o grupo a fazer previsões, levantar hipóteses e acompanhar atentamente os acontecimentos da história.
Ao longo da leitura, as crianças exploraram recursos característicos da literatura, como as repetições, o ritmo, a sonoridade e as brincadeiras com a linguagem, elementos que contribuem para tornar o texto envolvente e significativo. A observação atenta das ilustrações foi um ponto forte do trabalho desenvolvido, uma vez que os detalhes apoiam a construção de interpretações pessoais e a ampliação das possibilidades de compreensão da narrativa.
Sonoridades e imagens poéticas têm marcado o encontro das crianças com a poesia por meio da seleção presente em “Poemas que escolhi para crianças”, organizada por Ruth Rocha e Mariana Rocha. O contato com textos de diferentes épocas e autores amplia o repertório literário dos estudantes, que, ao realizarem os desafios propostos, descobrem novas formas de brincar com as palavras, expressar sentimentos e imaginar o mundo.
Os momentos de leitura têm se revelado uma verdadeira viagem pela poesia brasileira, aproximando as crianças de autores consagrados, de Olavo Bilac a Adélia Prado. Nesse percurso, elas exploraram características próprias da linguagem poética, como rimas, ritmo, musicalidade e construção de imagens, desenvolvendo a escuta sensível e a apreciação estética.
4º anos
“O menino do dedo verde”, de Maurice Druon, foi um grande aliado do grupo nas reflexões sobre nosso poder de realizar transformações no mundo. Paralelamente à saída pedagógica realizada para a ONG Prato Verde Sustentável, a leitura ofereceu recursos para que os estudantes percebessem que temos meios de transformar a realidade de outras pessoas. O que você transformaria com seu dedo verde? O poder de transformação de Tistu, o grande protagonista da história, sensibilizou o grupo e ampliou o olhar para o outro, como uma semente de empatia plantada em cada um.
Criatividade, imaginação e pensamento crítico marcaram o encontro dos estudantes com “A fada que tinha ideias”, de Fernanda Lopes de Almeida. Ao acompanhar as aventuras de Clara Luz, foram provocados a refletir sobre a importância de questionar padrões, valorizar diferentes perspectivas e buscar soluções originais para os desafios.
Além da exploração dos elementos da narrativa por meio de propostas orais e escritas, observaram como a curiosidade e a criatividade podem impulsionar mudanças. De forma leve e bem-humorada, o livro incentivou o reconhecimento do valor das próprias ideias e a compreensão de que a imaginação e a iniciativa são importantes para a construção de novos conhecimentos.
O diálogo proposto entre os personagens e o enredo de A fada que tinha ideias e do O menino do dedo verde ampliou a reflexão e fortaleceu nos estudantes a percepção de que é possível enfrentar problemas de forma ética, criativa e sensível.
A amizade entre Sofia e o gigante vem conduzindo os estudantes por uma narrativa repleta de imaginação, humor e descobertas em “BGA – O Bom Gigante Amigo”, de Roald Dahl. Ao longo da leitura, temas como empatia, respeito às diferenças e a importância de não julgar as pessoas pelas aparências, têm surgido nas rodas de conversa, envolvendo a realidade cotidiana dos estudantes e da sala de aula.
A linguagem criativa utilizada pelo autor é marcada por invenções e brincadeiras com as palavras, detalhe que tem sido destaque no trabalho com a inferência e com a descoberta da intencionalidade dele ao utilizar tais recursos.
A interpretação, a formulação de hipóteses e a consideração de diferentes perspectivas, aos poucos, vem fortalecendo a compreensão de que a literatura nos convida a olhar além das primeiras impressões e a construir relações mais respeitosas e empáticas.
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5º anos
“Diário de Pilar na Grécia", de Flávia Lins e Silva, uma viagem literária que articula narrativa, história, geografia e mitologia. Ao acompanhar as descobertas da personagem, os estudantes ampliaram seus conhecimentos sobre a cultura grega e estabeleceram relações entre diferentes tempos e modos de viver, o que apoiou imensamente as pesquisas e o entendimento dos aspectos estudados em Projeto, referentes aos povos formadores do Brasil.
A curiosidade sobre os mitos gregos, seus personagens e suas explicações para aspectos da vida humana foi grande! Ainda tiveram contato com mapas, registros visuais e informações complementares, o que enriqueceu a compreensão da obra, ampliou o repertório histórico e cultural dos estudantes e revelou a eles que a literatura pode ser uma forma de conhecer diferentes povos, tradições e visões de mundo.
Já “Meus Contos Africanos", de Nelson Mandela, aproximou os estudantes da riqueza das tradições orais do continente africano. As narrativas transmitidas entre gerações, apresentaram personagens, valores, costumes e modos de viver presentes em diferentes culturas africanas, ampliando o repertório literário e cultural.
Ao longo da leitura, exploraram características dos contos tradicionais, identificaram elementos como ensinamentos, conflitos, sabedoria popular e a presença de animais e personagens simbólicos. Relacionaram as narrativas presentes no livro com os mitos gregos presentes em Diário de Pilar na Grécia e ganharam repertório para o desenvolvimento de suas produções de contos etiológicos.
A leitura de “O Jardim Secreto”, de Frances Hodgson Burnett, tem levado os estudantes a mergulhar em uma narrativa rica em descrições, emoções e transformações. Temas como amizade, pertencimento e cuidado vêm emergindo nas rodas de leitura e de conversa, ao mesmo tempo em que os alunos aprofundam sua apreciação da linguagem literária.
O vocabulário diversificado da obra vem ampliando, gradativamente, o repertório linguístico e as possibilidades de expressão oral e escrita. As descrições dos ambientes, sentimentos e ações dos personagens têm sido exploradas de forma intencional, favorecendo a compreensão de como as palavras podem criar imagens, atmosferas e significados.
A interpretação, a construção de inferências e a apreciação dos recursos literários presentes na narrativa contribuem para a formação de leitores mais sensíveis e capazes de atribuir múltiplos sentidos aos textos.
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